Considerada de baixo risco, Construção se prepara para retomada das atividades

Na mais recente reunião online do comitê estratégico, criado pelo Governo do Estado para analisar a possibilidade de retorno gradual das atividades econômicas no Estado, dois importantes setores experimentaram expectativas opostas.

A construção civil está otimista após apresentação de um panorama em que está inserida entre as atividades de mais baixo risco, o que significa que 40% do setor poderá retornar já na fase 1 do processo. Já o segmento de bares e restaurantes prevê que o retorno total será mais lento, sendo concluído apenas na quarta fase do processo.

Segundo o chefe da Casa Civil do Estado, Élcio Batista, o projeto de retomada da economia cearense deverá durar 56 dias após ser aplicado pelo Governo do Ceará. O detalhamento foi informado durante transmissão ao vivo promovida ontem (14) pelo grupo Líderes Empresariais do Ceará (Lide Ceará).

Ainda de acordo com Élcio Batista, o plano leva em conta todos os setores produtivos e suas especificidades. “O início de retomada está diretamente atrelado aos indicadores da Secretaria de Saúde do Estado. Somente iniciaremos o plano de retomada quando a curva epidemiológica começar a cair. Iremos apresentar internamente os indicadores na segunda ou na terça-feira e, então, avaliar o cenário”, afirma. Contudo, o projeto de retomada deverá ser validado pelo governador Camilo Santana.

Patriolino Dias, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Ceará (Sinduscon), participou da reunião do comitê, na quarta-feira (13), e disse que na ocasião foi apresentado um documento, que será finalizado neste sábado (16), mostrando quais as atividades de baixo risco e as que não causam aglomeração, e a construção civil era uma delas. “Não nos surpreendeu, haja vista que no Brasil inteiro apenas o Ceará e Pernambuco pararam a atividade. Há estados que nunca pararam o setor, como São Paulo”, afirma.

Segundo Dias, foi divulgado que a construção civil, por ser de baixo risco, estaria inclusa na primeira fase de abertura gradual, com abertura de 40% das empresas do setor (incluindo atividades correlatas, como imobiliárias) para, num segundo momento, liberar em sua totalidade.

Dias perguntou ao chefe da Casa Civil, Élcio Batista, se o retorno poderia ocorrer já a partir do dia 20. “O secretário disse que não poderia precisar se a data do retorno seria imediatamente após o dia 20, mas reiterou que a construção civil estará contemplada na lista de prioridades das atividades a serem liberadas. O que ficou claro é que essa data será dada pela Secretaria de Saúde”.

Abrasel

Bem menos otimista, a posição da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Ceará (Abrasel-CE) em relação ao que foi apresentado é de que falta previsibilidade que dê segurança ao setor para planejar a retomada das atividades. O presidente da entidade, Rodolphe Trindade, gostaria que uma parcela do setor fosse incluída nesta primeira fase, caso haja a liberação de mais segmentos econômicos. “Se mais empresas forem liberadas, onde esses funcionários irão comer? Vão lotar padarias e supermercados?”, argumenta. Ele explica que, a princípio, bastariam quatro horas de funcionamento, no período da manhã, até ao meio-dia, com os restaurantes com 50% de ocupação.

Essa proposta, segundo Trindade, já havia sido encaminhada ao Governo do Estado desde 23 de abril. Ele explica que o setor reconhece sua vulnerabilidade, por isso aceita a abertura em etapas distintas. Restaurantes abririam na primeira fase e na segunda seria um período para adaptação e avaliação. “Os pioneiros seriam como termômetros que iriam balizar a forma como se daria a abertura do restante do setor. Os bares poderiam reabrir na terceira fase e as casas noturnas na quarta”, avalia Trindade.

Plano obedecerá critérios de risco sanitário

De acordo com Élcio Batista, a retomada das atividades econômicas no Ceará terá quatro etapas e seguirá critérios de “risco sanitário” e “aspectos econômicos e sociais” para a escolha das classes empresariais liberadas em cada fase. “Esse faseamento está todo estruturado em torno das cadeias produtivas aqui do nosso Estado, para que a gente consiga equilibrar a demanda e oferta”, explicou o chefe da Casa Civil.

Segundo ele, serão 14 dias em cada fase, com um processo de monitoramento pelo Estado para garantir a evolução dos números relacionados ao sistema de saúde. “Quando a curva cair, será o momento de iniciar a primeira fase da retomada”, disse.

Na primeira fase, o primeiro grupo de atividades terá 14 dias de monitoramento, em seguida passando para o segundo grupo e terceiro até atingir ao 4º grupo de atividades, todos em um intervalo de 14 dias entre cada.

Critério sanitário

De acordo com o critério de risco sanitário, o primeiro grupo que participará da primeira fase estará no critério de baixo risco. Já os segundo e terceiro grupos farão parte do grupo de risco intermediário e o quarto grupo corresponderá ao alto risco de contágio, segundo o estudo.

Com relação aos aspectos econômicos, participarão da primeira fase os grupos que estão sofrendo alto impacto econômico, em seguida os de impacto intermediário (2ª e 3ª etapas) e 4ª etapa o grupo que está passando pelo baixo impacto econômico em decorrência da pandemia.

Situação de empresas de self-service preocupa mais

Na primeira fase, onde a Abrasel-CE espera ver voltar à atividade os restaurantes, dificilmente um serviço muito popular estaria contemplado: o self-service.

Para Rodolphe Trindade, presidente da Abrasel, a tendência é esta modalidade de autoatendimento desaparecer. “O medo das pessoas, pelo perigo da contaminação dos alimentos por saliva ou pelo contato do cliente com os ‘pegadores’ e talheres, vai tornar o retorno desse serviço muito difícil”, explica o empresário.

Ele diz que a constatação vem de empresas que mantém franquias de self-service em várias regiões do país. “Eles relatam que as vendas no self-service caíram muito enquanto as do à la carte aumentaram”. Já com relação ao delivery, após a pandemia Trindade acredita que a movimentação vai dar uma diminuída porque as pessoas vão querer sair para comer fora.

Retomada
Rodolphe também participou da reunião com o comitê e diz que provavelmente haverá adiamento do decreto por mais 14 dias a partir de 21 de maio. “O governo espera registrar, num período de 14 dias, uma taxa de 80% dos leitos de UTI ocupados, 50% de redução de internação por Covid-19, e 50% de redução dos óbitos por Covid, antes de definir quando começará a abertura”, pontua.

Fonte: o OTIMISTA