Politica: Ativista Sara Winter, alvo de operação das fake news, é expulsa do DEM após ameaçar ministro do STF

O DEM anunciou nesta terça-feira, 2, a expulsão de Sara Winter do partido. A ativista é uma das investigadas no inquérito das fake news, do Supremo Tribunal Federal (STF). Winter publicou vídeos nas redes sociais ameaçando o ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação.

Winter está entre os líderes do chamado movimento “Os 300 do Brasil”, grupo armado de extrema direita formado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro que acampam em Brasília. No domingo, 31, ela liderou um protesto em frente ao STF acompanhada de manifestantes usando máscaras e carregando tochas. O Democratas afirma que Winter foi expulsa “pelo descumprimento dos deveres éticos previstos estatutariamente”. “É importante ressaltar que o Democratas repudia, de forma veemente, quaisquer atos de violência ou atentatórios ao Estado de Direito, ao Regime Democrático e às instituições brasileiras”, disse, em nota, ACM Neto, presidente do partido e prefeito de Salvador.

Em vídeos divulgados em suas redes sociais, Winter fez ameaças públicas a Moraes. “Juro por Deus, essa era minha vontade. Eu queria trocar soco com esse filho da puta desse arrombado. Infelizmente, não posso”, disse Sara. “Pena que ele [Moraes] mora em São Paulo. Se ele estivesse aqui, eu estava lá na porta da casa dele, convidando ele para trocar soco comigo”, afirmou.

Na postagem, a ativista fala ainda que Moraes nunca mais encontrará paz na vida, por ter tomado o que ela classificou como “a pior decisão da vida” do magistrado.
“Você me aguarde, Alexandre de Moraes. O senhor nunca mais vai ter paz na vida do senhor. A gente vai infernizar a tua vida.” A bolsonarista completa: “A gente vai descobrir os lugares que o senhor frequenta. A gente vai descobrir quem são as empregadas domésticas que trabalham para o senhor. A gente vai descobrir tudo da sua vida, até o senhor pedir para sair”.

O acampamento chamado Os 300 do Brasil, do qual Sara Winter é líder, tem participantes armados, como a própria coordenadora afirmou em entrevista à Folha. Ela disse, contudo, que as armas são apenas para autodefesa. O porte de armas em manifestações é proibido pela Constituição. Um dos objetivos do grupo é treinar militantes dispostos a defender o governo Bolsonaro. A ativista também teve breve passagem pelo Ministério dos Direitos Humanos, cuja titular é Damares Alves.

O grupo passou a ser investigado pela Procuradoria-Geral da República, no âmbito do inquérito instaurado no fim de abril para apurar as recentes manifestações antidemocráticas. A apuração foi autorizada também pelo ministro Alexandre de Moraes. A organização liderada por Sara refuta o suposto caráter violento do movimento e rejeita o rótulo de milícia armada. Os integrantes têm feito acampamentos em Brasília. São mais de 700 membros em diversas partes do Brasil, de acordo com o comando do grupo.

A ativista, cujo verdadeiro nome é Sara Fernanda Giromini, fundou o Femen Brasil, grupo famoso por protestar de topless, e depois se converteu ao conservadorismo.

(FolhaPress)