Politica 2019: Apos 100 dias do Governo Bolsonaro,Os Principais Cargos Federias Estão na Mão do MDB do Ex- senador Eunício Oliveira.

Eunicio Oliveira.
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Mais de 100 dias depois de iniciado o governo de Jair Bolsonaro (PSL), maior parte dos cargos federais no Ceará continua ocupada por indicados políticos em governos anteriores. Lentidão é explicada por razões políticas, estratégicas e também burocráticas.

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Quatro meses depois do início do governo de Jair Bolsonaro (PSL), o controle da maior parte dos cargos federais mais cobiçados na administração pública no Ceará continua nas mãos de nomes ligados a parlamentares e ex-parlamentares que não integram oficialmente a base do presidente – alguns até de oposição.

Dos dez principais postos no Estado, quase metade está sob a esfera de influência do ex-senador Eunício Oliveira, presidente estadual do MDB, que pediu votos para o então candidato do PT nas eleições presidenciais de 2018, Fernando Haddad.

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Além do Banco do Nordeste (BNB), cujo presidente, Romildo Rolim, é indicação de Eunício, as chefias de Companhia Docas, Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) passaram à cota do emedebista ainda durante a gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB).

Até agora, mais de 100 dias após a chegada de Bolsonaro ao Planalto, o ex-presidente do Senado detém os maiores nacos das nomeações federais no Ceará.

Ex-deputada federal pelo PR, Gorete Pereira é outra que conseguiu preservar aliados em lugares-chave com a transição do governo Temer para o do pesselista. Hoje aliada integrante da base de sustentação do governador Camilo Santana (PT), Gorete tem indicações no Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit-CE) e no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).

Questionada pelo O POVO sobre a razão de ainda conservar nomeações em cargos federais de influência regional, Gorete disse que os perfis escalados para a presidência desses dois órgãos são técnicos e não políticos.

“Dnit e Dnocs são cargos realmente muito técnicos, eles não mudaram nem vão mudar”, defendeu. “São nomes técnicos, e o currículo atende às exigências do Planalto. Não é indicação política.”

A ex-deputada cita o caso do presidente do Dnocs, Angelo Guerra, para ela “a pessoa que mais entende de barragem no Ceará”. Segundo Gorete, à qualificação técnica, Guerra alia “uma convivência muito boa” com o ministro do Desenvolvimento Regional do Brasil de Bolsonaro, Gustavo Canuto. “Esse não vai sair”, avalia, referindo-se ao aliado.

A dirigente do PR projeta adequações na proa da Companhia Docas. “Vai haver mudança na presidência da Docas para colocar uma pessoa mais alinhada com Brasília”, assegura. Hoje, quem preside a companhia é César Pinheiro. “É uma indicação do Eunício que, com o tempo, foi ficando lá”, relata.

Também ex-deputado federal, o tucano Danilo Forte já esteve à frente das indicações na Superintendência do Patrimônio da União (SPU), órgão hoje sob o raio de ação do deputado do SD Genecias Noronha – único voto favorável à reforma da Previdência entre os cearenses que integravam a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Agnalton Feitosa "O amigão da Galera".
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Entre os ocupantes de cargos federais, porém, é possível encontrar até petistas. Exemplo disso é o BNB, em cujos quadros ainda restam indicados políticos de parlamentares da legenda que assumiram suas funções no segundo governo de Dilma Rousseff (PT) e foram mantidos no de Temer.

Para um ex-parlamentar federal que preferiu não se identificar, três fatores estão por trás da manutenção de poder nas mãos de mesmo de adversários de Bolsonaro: a pressão pela aprovação da PEC da Previdência, a falta de critérios claros para substituição dos ocupantes atuais e o receio de praticar o velho “toma lá, dá cá”. “Na dúvida”, afirma essa fonte, “fica tudo como está, ao menos por enquanto”.

Cientista político e membro do Conselho de Leitores do O POVO, Cleyton Monte diz que essa paralisia no ímpeto de mudanças (Bolsonaro chegou a anunciar uma “despetização” das empresas estatais) se deve principalmente a um impasse. “O Executivo precisa negociar com as bancadas, mas quais são os termos dessa negociação?”, explica.

Monte analisa que a falta de uma base parlamentar do governo afeta diretamente o preenchimento desses postos. “O presidente não tem base ainda, e as lideranças eleitas na onda da novidade reproduzem o discurso de Bolsonaro de que não se devem ocupar cargos por indicados”, completa.

O POVO tentou contato com o ex-senador Eunício Oliveira ao longo da semana, mas não obteve retorno até o fechamento da edição. A reportagem também contatou Genecias Noronha (SD), que não respondeu.

Fonte: O povo/ mombacanews.com