Mesmo sem título, Fortaleza celebra missão cumprida

A cereja do bolo não veio, mas ter ficado no 0 a 0 com o CSA-AL, ontem, no estádio Rei Pelé, em Maceió, não tira o mérito da campanha do Fortaleza na Série C do Campeonato Brasileiro. Qualquer imaginável dose de frustração por não ter saído da Terceirona com o título de campeão é irrelevante para os tricolores diante do sentimento de que ontem foi o último ato de um sofrido ciclo de oito anos.

O desfecho como vice-campeão, por sinal, era inimaginável por muitos no primeiro semestre, sobretudo em um ano iniciado por fracassos no Campeonato Cearense, na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil. A campanha claudicante até a reta final da fase classificatória da Série C, com direito a troca de treinador às vésperas do mata-mata — Paulo Bonamigo por Antônio Carlos Zago —, dificilmente projetava que o Leão do Pici acabaria como o segundo melhor time do certame.

No gramado do Rei Pelé, o Fortaleza vendeu caro o título ao CSA, fazendo o que dele se esperava: não se acanhou diante do estádio lotado, se impôs e pressionou em busca do gol. Acontece que o time voltou a padecer de um dos seus problemas crônicos: a falta de poder de finalização. O time alagoano tinha a vantagem devido à vitória por 2 a 1 no jogo de ida, no Castelão.

Foram boas oportunidades criadas, sobretudo no primeiro tempo, mas o pouco capricho no último toque fizeram do ataque infrutífero, com muitas finalizações desperdiçadas. As que foram no rumo da meta, o goleiro Mota, assim como fez no Castelão, impediu que entrassem.

Por outro lado, deu também espaços ao CSA. O time alagoano, comandado pelo técnico cearense Flávio Araújo, foi o melhor do campeonato e campeão com justiça. Ontem, esbarrou em um Marcelo Boeck novamente inspirado e que impediu que o sonho do título leonino fosse interrompido antes.

“Nós fizemos mais do que todo mundo imaginava. Fizemos muito mais do que em oito anos não foi feito e honramos essa camisa. Hoje não ganhamos, mas queremos construir um presente-futuro agora, que seja uma nova trajetória. Eu conheço o Fortaleza só de Série A, em 2005, 2006. Devolvemos um pouco dessa dignidade e saímos de cabeça erguida”, declarou o arqueiro após o jogo.

O camisa 1, por sinal, é um dos poucos atletas que a diretoria deve fazer muito esforço para manter em 2018, ano do centenário, que já deve ser planejado a partir de agora. O elenco atual merece total reconhecimento pelo que fez na Série C, mas uma reformulação é necessária.

Foco na Fares Lopes

Mesmo com o fim da disputa da Série C, o Tricolor ainda tem um objetivo na temporada: vencer a Taça Fares Lopes e assegurar vaga na Copa do Brasil do ano que vem. Na quinta-feira, 26, o Leão do Pici encara o Iguatu, no Castelão. A expectativa é de que os jogadores que atuaram na Terceirona entrem em campo no duelo. “Sou funcionário do clube e aquilo que determinarem vou fazer”, disse Boeck, que também deve atuar na reta final da competição estadual.

O povo/ Mombacanews.com