Dívidas rurais e estiagem ameaçam produção

Todos os produtores do endividamento rural têm até o dia 31 de dezembro deste ano para apresentar uma proposta de renegociação ao Governo Federal das suas dívidas. O alerta é do presidente da Federação da Agricultura do Estado do Ceará (Faec), empresário Flávio Saboya – que também é vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Para o dirigente, a proposta do presidente Michel Temer está perfeita, mas não atende todos os casos. Isso, segundo ele, porque os produtores rurais, de 2012 até 2017, apresentaram uma proposta, para a qual saiu a Resolução nº 4.568/2017 do Banco Central, mas que é incompatível com a realidade em que o Nordeste vive.

Além disso, Saboya reconhece que o inverno deste ano foi considerado bom para algumas regiões, mas ruim para outras, porque as chuvas não recarregaram os reservatórios, como é o caso dos açudes Orós e Castanhão, onde as chuvas foram muito abaixo da média. Ele lembra que, em maio, as chuvas foram suspensas, prejudicando algumas plantações.

Por causa dessa diferença de chuvas, o dirigente aponta que a safra do milho foi prejudicada, porque era nesse mês que deveria haver o crescimento das espigas que ficaram em parte atrofiadas. Saboya reconhece que o milho surgiu, mas com espigas magras e com baixa produção. Mesmo assim, o dirigente acha que a safra do grão deste ano, no Ceará, vai ser maior do que em 2016.

Discussão

Flávio também participou, em Brasília, de audiência pública para discutir a evolução da renegociação dessas dívidas rurais. “Esse assunto é da mais alta importância para todos os produtores rurais do Estado do Ceará e, por isso, é que não poderíamos deixar de estar presente nesse momento que significa o futuro dos nossos produtores”, destacou o dirigente.

Contudo, um entrave pode prejudicar a atividade dos produtores já endividados. “A norma determina que quem prorrogar a dívida fica impedido de contratar novo crédito. Mas o produtor não terá condições de quitar esse débito se não tiver acesso a novos recursos para começar as atividades”, afirmou o também vice-presidente da CNA, Mário Borba.

“Como é que se pode vincular a negociação no semiárido de municípios que estejam nesse momento em emergência, principalmente pela falta de água e de produção?”, questionou, por sua vez, Flávio Saboya, acrescentando que essa resolução tem três meses e encerra no próximo mês de setembro. “O agricultor que vive na emergência não pode renegociar se ele tiver com o seu débito de 2012 a 2017 e isso é absurdo”, asseverou o dirigente.

Conforme Saboya, caso os produtores rurais não atenderem ao chamamento para acertar as dívidas perderão uma boa oportunidade de resolver essa questão, “que é muito importante para que possam continuar trabalhando normalmente”. Ele observou, ainda, que, de todas as propostas aprovadas pelo Governo Federal, a renegociação é a mais importante para os produtores.

Rebates
Mostrando a importância da renegociação, o presidente da Faec afirma que ela permite rebates de até 90% do que deve um produtor rural. Ele exemplifica que quem deve R$ 100 mil vai pagar apenas R$ 10 mil, e é por isso que esse é o momento exato dos produtores rurais aproveitarem a oportunidade para ficar livre das dívidas para voltar a produção normal.

Ele lembra que o produtor rural que saldar a sua dívida vai ter direito a outros créditos para que possa conseguir aumentar os seus negócios. Ele alerta que o produtor que não pagar a sua dívida – e não conseguir tocá-la para frente – poderá ter os seus bens comprometidos e, por isso, deixar de produzir, “o que é muito ruim para ele e para o País que precisa crescer”, finalizou. (Com informações de Tarcísio Colares)

Fonte: Jornal o estado