Cotado para a presidência do Senado, Renan abre o verbo contra Tasso

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) publicou 1 texto nesta 2ª feira (3.dez.2018) em que chama o tucano Tasso Jereissati (PSDB-CE), possível concorrente à presidência da Casa, de “patrimonialista” e “tudo o que os brasileiros mostraram não querer mais”.

“Tasso continua patrimonialista (tudo que os brasileiros mostraram não querer mais)”, escreveu o alagoano.

Renan disse não ter se decidido sobre concorrer ou não ao cargo para o qual já foi eleito 4 vezes, mas, caso entre na disputa, disse que derrotará Tasso inclusive dentro do PSDB.

“Se tiver de ser candidato, serei”, disse. “Se for contra o Tasso, deverei ganhar no PSDB, no PDT, no Podemos, no DEM. Aliás, essa hipótese dificilmente se viabilizará.”

Renan disse ter sido solicitado por Tasso durante votação da manutenção do subsídio da indústria de refrigerante. A família de Jereissati é dona da franquia da Coca-Cola no Nordeste.

“Tasso me ligou desesperadamente para que eu viesse a Brasília aprovar. Imagine: continua produzindo Coca-Cola e obrigando os cearenses a pagar 100% do custo da produção, inclusive da água, que nessa indústria representa 98%”, disse. “E ainda querendo que o Senado continue a pagar o combustível do seu jato supersônico.”

A candidatura de Tasso tem sido costurada como uma alternativa a Renan. Tasso tem buscado aproximação com o PSL, do presidente eleito Jair Bolsonaro, e com a oposição, por intermédio de Cid Gomes (PDT-CE), que trabalha pelo nome do tucano.

Renan defendeu o direito de o MDB presidir o Senado por ter eleito a maior bancada para a legislatura de 2019, quando terão 12 cadeiras. Segundo ele, o MDB indicará 1 nome para concorrer ao cargo na “undécima hora“, em 31 de janeiro, às vésperas da eleição que ocorrerá em 1º de fevereiro.

Sem oficializar sua candidatura ao comando da Casa, Renan Calheiros tem sido procurado por senadores novatos que buscam saber como será a correlação de forças no próximo ano.

Outro nome cotado dentro do MDB para disputar a presidência da Casa é Simone Tebet (MS), atual líder do partido.

Leia a íntegra da nota enviada por Renan Calheiros:

No domingo, o noticiário sobre hipótese de candidatura minha à presidência do Senado convulsionou, dando guinadas de até 180 graus. Definitivamente, eu não quero ser presidente a qualquer custo. E não decidi.

Por que? Ora, o MDB só indicará seu nome na undécima hora (31/01). No passado tivemos eleições que sequer foi preciso indica-lo, pois o nome se tornara consenso. Dos 12, eu sou o 1/12, e qualquer um pode ser candidato.
Jamais inverteremos essa ordem natural. Se tiver de ser candidato, serei. E terei as maiores dificuldades na bancada do PT.

Se for contra o Tasso, deverei ganhar no PSDB, no PDT, no Podemos, no DEM. Aliás, essa hipótese dificilmente se viabilizará. Primeiro, porque as urnas deram ao MDB o direito de indicar o candidato. Segundo, porque Tasso continua patrimonialista (tudo que os brasileiros mostraram não querer mais). Há três meses, eu estava cuidando da campanha em Alagoas e Tasso me ligou desesperadamente para que eu viesse a Brasília aprovar a manutenção do subsídio da indústria de refrigerante. Imagine: continua produzindo coca-cola e obrigando os cearenses a pagar 100% do custo da produção, inclusive da água, que nessa indústria representa 98%. E ainda querendo que o Senado continue a pagar o combustível do seu jato supersônico.

Preocupa-me apenas o equilíbrio institucional. Mais do que qualquer um eu sei – porque já vivi- que democracia nenhuma sobreviverá sob a coação de ministro do Supremo tentando afastar chefe de Poder por liminar.

Nesses anos todos, a única coisa que aprendi foi que, quando você empossa um presidente eleito- e já empossei 3 presidentes diretamente-, ali, naquela hora, quando as instituições estão reunidas, ninguém individualmente salva ninguém. Tem que ser uma ação coletiva, nunca isolada.

Agora, pessoalmente dedico-me a fechar a tampa dessa legislatura, que foi varrida pelas urnas. Continuam querendo aprovar o fim da ficha limpa (que o Senado adotou até para a administração), foi o mesmo que fiz quando aprovei a lei das estatais, para impedir aparelhamento político. Continuam querendo entregar a lei geral das telecomunicações (que ministro do STF suspendeu por conta do processo legislativo criminalizado), e ainda tentam aprovar a fictícia cessão onerosa de mais de 100 bilhões de reais, que valerá apenas para 2020.

Hoje, por telefone, disse ao Romero Jucá (meu irmão), que ele não estava entendendo que a criminalização do processo continua. O STF não conseguiu votar o indulto do ano passado, imagine quando irá apreciar o de agora.
Segue o jogo…

Renan Calheiros