Combate às facções e violência vira tema central das eleições no Ceará

Os altos índices de violência do Ceará colocaram a segurança pública como tema chave na eleição para governador. O estado está entre os últimos colocados no ranking de eficiência das unidades da federação feito pela Folha e Datafolha (REE-F).

Candidato à reeleição, o governador Camilo Santana (PT), 50, montou uma coligação com 16 partidos, que vai do PDT do candidato a presidente Ciro Gomes, que desde 2014 o apoia, ao DEM.

Ele terá como principal adversário , do General Theophilo PSDB . O esmagamento da oposição no Ceará, que colocou, por exemplo, até o MDB do senador Eunício Oliveira informalmente ao lado de Camilo, fez o PSDB do senador Tasso Jereissati praticamente se isolar e optar por um estreante em eleições.

Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, 63, é general da reserva, nasceu no Rio, é filho de cearenses e se mudou para o Ceará ainda bebê. Pesou para ser escolhido para a campanha, que terá foco no combate às facções criminosas, o fato de ter sido comandante militar da Amazônia e ter estado à frente do controle das fronteiras de uma das áreas de maior preocupação para o tráfico de drogas no país.

A guerra entre traficantes, principalmente, fez com que o Ceará aparecesse no topo do levantamento de mortes violentas entre os estados brasileiros em 2017, com 59,1 mortes por 100 mil pessoas, atrás apenas do Rio Grande do Norte e do Acre, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Brasileira.
Somente em 2018 foram registradas ao menos sete chacinas no estado, a maior em janeiro, quando 14 pessoas morreram em uma festa na periferia de Fortaleza.

Esses números, porém, não afetam até o momento a avaliação de Camilo Santana. Pesquisa Ibope, encomendada pela TV Verdes Mares, divulgada na sexta (17) mostra que o atual governador, no cenário atual, venceria no primeiro turno com 64% das intenções de votos. General Theophilo apareceu com 4%.

“Atribuo essa vantagem do Camilo à falta de uma liderança para concorrer contra ele. Não tem uma renovação de lideranças no estado que chegue aos eleitores”, avaliou Paula Vieira, cientista política do Lepem, Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia da UFC (Universidade Federal do Ceará).

Até o início de 2018, se desenhava que Capitão Wagner (Pros), 39, poderia ser o candidato da oposição. O deputado estadual, derrotado no 2º turno da eleição municipal de 2016, optou porém por tentar vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Ao mesmo tempo, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, deixou a oposição no Ceará e hoje, apesar de não integrar oficialmente a chapa de Camilo, é um dos candidatos a senador que estará junto do governador.

O outro é o ex-governador Cid Gomes (PDT), irmão de Ciro Gomes, que faz oposição ao MDB de Michel Temer no plano nacional e afirmou recentemente que era um vergonha Camilo se aliar no estado ao partido do atual presidente. Ele já avisou que se recusa a dividir palanque com Eunício.

“Cada um tem sua opinião. Eu respeito a democracia”, disse Camilo sobre as declarações de Ciro.

Na segunda (20), General Theophilo lançou seu plano de governo focado, como esperado, na segurança pública. Um tema espinhoso para o candidato, porém, deverá ser a ditadura militar. Em entrevista ao jornal O Povo, ele afirmou que não houve ditadura no Brasil, e sim um “contragolpe democrático”.

Além de Camilo Santana e General Theophilo, há outras quatro candidaturas registradas para o governo do Ceará, três ligadas à esquerda, de Ailton Lopes (PSOL), Mikaelton Carantino (PCO) e Francisco Gonzaga (PSTU), e a de Hélio Góis (PSL), que dará palanque a Jair Bolsonaro no Ceará.

Com informações Folha de S. Paulo