Brasil: Chefe da equipe econômica sugeriu salvar grandes empresas e não as “pequenininhas” para não perder dinheiro.

Em reunião de 22 de abril, chefe da equipe econômica sugeriu salvar grandes empresas e não as “pequenininhas” para não perder dinheiro. Representantes do comércio e serviços reconhecem esforços, mas recusam priorização por porte

Os empresários dos setores de comércio e serviços reconhecem o que o governo tem feito pelas empresas e pela economia, mas não admitem que o governo cogite a ideia de priorizar companhias por porte. Foi o que disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, na reunião de 22 de abril.

O vídeo da reunião divulgada na sexta-feira, 22, mostra Guedes citando que o país vai “ganhar dinheiro usando recursos para salvar grandes companhias”. “Agora, nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequenininhas”, declarou o ministro da Economia.

A declaração não caiu bem junto aos empresários. Oeste conversou com o presidente da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs), George Pinheiro. Os setores representados pela entidade são responsáveis por 65% das operações de crédito e débito do país, 15% do Produto Interno Bruto (PIB) e R$ 1 trilhão de faturamento ao ano.

As empresas associadas das entidades que compõem a Unecs empregavam, antes da pandemia, em torno de 9,9 milhões de trabalhadores de micro, pequenas, médias e grandes empresas. “O que eu entendo da fala do Paulo Guedes é que, primeiro, as empresas brasileiras não concordam com ela”, sustenta Pinheiro.

Posição.

A Unecs não concorda que o governo vai perder dinheiro tentando salvar as empresas, independentemente do porte. “Quer sejam micro, pequenas, médias ou grandes empresas brasileiras. É exatamente o contrário. O governo precisa salvar empresas brasileiras para continuar vivo, para ter arrecadação”, destaca o presidente da entidade.

O contexto usado por Guedes é compreensível para Pinheiro. Mas ele não concorda. “Eu entendo que, em determinado contexto, ele pode ter dito que, com as grandes empresas, o governo vai ganhar mais dinheiro salvando-as. Tá bem, beleza, é uma posição. Só que não são as grandes empresas que representam o Brasil. São as milhões de micro e pequenas empresas, e são essas que precisam ser salvas”, frisa o empresário.

De toda forma, Pinheiro reconhece os feitos do governo. Na terça-feira, 19, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a Lei 13.999, que institui o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). Serão liberados R$ 15,9 bilhões em créditos subsidiados e garantidos pelo Tesouro.

Urgência
Os empréstimos terão uma taxa de juros máxima de 1,25% ao ano acrescidos da taxa básica de juros (Selic). O Tesouro vai garantir até 85% das operações por meio do uso de verba do Fundo Garantidor de Operações (FGO). O governo sinaliza, ainda, que deve editar uma Medida Provisória (MP) propondo ajuda a médias e grandes empresas.

Por esses motivos, Pinheiro parabeniza os feitos do governo, mas cobra urgências nas medidas e garantias de 100% das operações pelo Tesouro. “Precisamos o quanto antes da regulamentação das normas do Pronampe e de medidas para atender outras empresas. Ou entendemos isto, ou vamos ter uma quebradeira de empresas de todos os tamanhos”, alerta.

Fonte: Revista O Oeste/Mombacanew.com