Aumenta a temperatura politica nos bastidores do Ceará

A frieza do debate sobre a corrida pelo Governo do Estado e o Senado foi quebrada com as declarações do ex-governador e presidenciável Ciro Gomes (PDT) que bateu duro no senador Tasso Jereissati e no PSDB. Ciro, durante a convenção do PDT, na última quinta-feira, em Fortaleza, chegou a dizer que se Tasso assumisse candidatura ao Governo do Estado seria um traidor porque o PSDB tem representante na administração Camilo Santana. Filiado ao PSDB, Maia Júnior, segundo os tucanos, por decisão pessoal, ocupa a Secretaria de Planejamento do Estado. Ciro havia dito, ainda, que Tasso manda no BNB e em cargos do Governo Federal no Ceará.

As declarações de Ciro Gomes caíram como pólvora em paiol, provocaram reação no PSDB e representam o fogo que a oposição precisa para reconstruir a unidade que a levou a concorrer ao Governo do Estado, em 2014, e à Prefeitura de Fortaleza em 2016.

o Presidente da Executiva Regional do PSDB, ex-senador Luiz Pontes, em entrevista, neste sábado, ao Jornal O POVO.

Luiz Pontes considera desonesta a postura de Ciro Gomes com as críticas ao senador Tasso Jereissati. ‘’O Ciro conhece a decência, a seriedade, a correção e a ética do Tasso. O Ciro sabe dessas qualidades, mas, por oportunismo, carreirismo e demagogia usa do jogo de palavras para atacar e agredir’’, disse Luiz Pontes, ao lembrar que o senador cearense sempre se opôs a indicação de nomes do PSDB para o Governo do presidente Michel Temer.

‘’O senador Tasso apoia projetos que estão na agenda do Governo Federal, mas jamais pediu cargo ou defendeu que o PSDB indicasse nomes para compor a equipe do presidente Michel Temer”,disse Pontes.

Sobre a presença de Maia Júnior como filiado do PSDB no Governo Camilo Santana, Luiz Pontes foi taxativo: “O Camilo foi pedir ao Tasso que liberasse o Maia, e o Tasso disse que isso era uma questão pessoal dele, que não tem nada a ver com o PSDB”.

Historico.

Pré-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes tem a sua ascensão política bancada pelo hoje senador Tasso Jereissati. Em 1987, ao assumir o seu primeiro mandato, Tasso o fez líder do Governo na Assembleia Legislativa e o projetou para, em 1989, conquistar a Prefeitura de Fortaleza. Ciro começou no PDS e, ao se aliar ao grupo de Tasso, desembarcou no PMDB, indo, em seguida, para o PSDB, sigla pela qual se elegeu, em 1990, para o Governo do Estado. Depois, passou pelo PPS, PSB, PROS e, hoje, está no PDT. Tasso nasceu no PMDB e foi um dos fundadores, em 1988, do PSDB, onde permanece até hoje.

Ciro não chegou a concluir o mandato de governador porque Tasso o indicou Ministro da Fazenda no Governo do presidente Itamar Franco (1992-1994). Ciro ganhou projeção nacional, manteve-se filiado ao PSDB por mais algum tempo, mas depois rompeu com os tucanos nacionais a partir dos conflitos com o então presidente Fernando Henrique Cardoso.

ùltimos Embete politico dos dois grupo no Ceará.

Em 2014, Tasso ganha a disputa ao Senado contra Mauro Filho, que recebe o apoio de Cid e Ciro. O tucano ajudou a levar Eunício Oliveira ao segundo turno da corrida ao Palácio da Abolição. Cid e Ciro ganham o segundo com Camilo Santana. Em 2016, a oposição, reunindo PMDB, PSDB e PR, enfrenta o grupo de Cid e Ciro na corrida pela Prefeitura de Fortaleza – de um lado, Roberto Cláudio, candidato à reeleição, contra o Capitão Wagner. Roberto e Wagner chegam ao segundo turno, com o atual prefeito reeleito. A eleição de 2018 poderá ter, mais uma vez, a oposição unida. As discussões sobre a disputa eleitoral do próximo ano ganham mais visibilidade com o combustível jogado pelo ex-governador Ciro Gomes em direção ao senador Tasso Jereissati.

 

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